Capítulo 6: Valor
Capítulo 6: Valor
Ao ver Li Huowang fazer esse movimento, Yang Na recuou meio passo, um pouco alarmada. “O que você vai fazer? Aqui, a estação das enfermeiras pode ouvir a gente.”
Assim que ela falou, o alto-falante ao lado da cama soltou risadas abafadas das enfermeiras. “Hohoho, tudo bem, não estamos ouvindo nada. Irmãozinho Li, vá em frente e se esforce~”
“Senhoritas, vocês podem parar de fofocar um pouco? Concentrem essa atenção extra na enfermaria de cuidados intensivos.”
Depois de gritar para o alto-falante, Li Huowang puxou Yang Na pela mão até o outro canto do quarto.
Ele tirou do bolso aquele pingente de jade e o colocou na palma da mão dela. Em seguida, aproximou os lábios de sua orelha e sussurrou instruções baixinho. Os olhos de Yang Na se arregalaram cada vez mais enquanto ele falava.
“Isso é impossível, isso—” Antes que terminasse, Li Huowang estendeu a mão e tapou sua boca diretamente.
Os olhos dos dois se encontraram. O olhar de Li Huowang estava carregado de um desejo intenso enquanto fitava Yang Na.
“Me ajude. Tudo o que estou dizendo é verdade. Lá fora, nem meus pais confiam em mim. Todos acham que enlouqueci. A única pessoa a quem posso recorrer é você. No mundo inteiro, só confio em você. Eu realmente não enlouqueci!”
Yang Na olhou para Li Huowang por alguns segundos e, finalmente, mordeu o lábio e assentiu com a cabeça. Quando saiu, seus olhos estavam vermelhos. Ela olhava para trás a cada três passos, como se estivesse extremamente preocupada com o estado mental de Li Huowang.
Li Huowang observou sua figura se afastar com o coração pesado. Ele já não se importava com o que os outros pensavam, mas Yang Na era diferente.
“Nana, confie em mim uma vez, só uma vez!”
O tempo de espera sempre é longo. Li Huowang andava de um lado para o outro dentro do quarto, inquieto e ansioso.
De vez em quando, alucinações surgiam diante de seus olhos, mas Li Huowang voltava a si o mais rápido possível. Segundo os médicos, isso era muito ruim, mas ele temia perder Yang Na.
Um dia, dois dias, três dias. Os dias passavam, e o coração de Li Huowang ficava cada vez mais oscilante entre a esperança e o medo.
“Li, sua namoradinha veio te ver~” Ao ouvir o aviso da enfermeira, Li Huowang deu um pulo da cama e correu em direção à entrada do pátio.
No jardim interno do hospital, Li Huowang e Yang Na se encontraram. Eles se abraçaram emocionados.
Yang Na abafou a voz e gritou em seu ouvido: “Huo Wang, é verdade! Aquele pingente de jade é de verdade!”
“Eu não estou doente!! Haha!! Eu não estou doente!!” Li Huowang, emocionado, envolveu a cintura fina da garota e girou no ar várias vezes.
Os dois ficaram eufóricos por um bom tempo até finalmente se acalmarem.
“O que pedi para você fazer não afetou sua vida ou seus estudos, afetou?” Li Huowang perguntou, preocupado, enquanto se sentava ao lado dela na borda do canteiro de flores.
Yang Na, no entanto, não respondeu diretamente. Em vez disso, mudou de assunto. Ela estendeu quatro dedos finos e brancos como cebolinhas para Li Huowang. “Sabe quanto vale aquele pingente de jade? Esse número!”
“Qua… quarenta mil?”
“Quatrocentos mil! E acho que ele certamente subestimou o preço. Se perguntássemos em mais lugares, com certeza seria ainda mais alto.”
“Quatrocentos mil… quatrocentos mil…” Li Huowang ria como um bobo. Isso não só cobriria todas as despesas de seu tratamento ao longo dos anos, como ainda sobraria um bom dinheiro. Mais importante, isso era apenas o começo.
“Yang Na, preparada para se tornar uma pequena milionária?”
A provocação de Li Huowang fez as bochechas de Yang Na corarem levemente. “Deixe de gracinha. Isso é tão estranho. Tem certeza de que não vai fazer mal ao seu corpo?”
“Nada, o que poderia me acontecer? Estou ótimo. Se for assim, talvez eu precise adiar meu tratamento. Isso é um tesouro, não posso ser curado tão rápido.”
Ao ouvir isso, a expressão de Yang Na ficou tensa. Ela olhou para Li Huowang com preocupação e disse: “Huo Wang, isso são duas coisas diferentes. Não quero dinheiro. Seu tratamento não pode parar de jeito nenhum, e os remédios também não. Prometa-me, senão nunca mais vou ajudá-lo.”
Li Huowang pensou em muitos argumentos para rebatê-la, mas ao ver seus olhos cheios de preocupação e cuidado, uma corrente de calor brotou em seu coração. “Está bem, eu prometo.”
Yang Na sorriu e estendeu a mão para dar tapinhas leves em sua cabeça. “Assim que é bom, seu irmão mais novo bobo.”
Enquanto os dois conversavam sobre como transformar aquele pingente de jade em dinheiro, alguns homens de meia-idade, corpulentos, passaram apressados por eles carregando forcados1.
“Mestre Zhao, o que houve? Aconteceu alguma coisa?” Li Huowang perguntou, confuso, a um conhecido entre eles.
“Não pergunte muito, Li. Volte para o quarto agora. E se encontrar o Velho Liu, avise imediatamente. Esse sujeito com certeza cuspiu o remédio escondido de novo.” O homem disse às pressas, virou-se e correu em direção à escada.
“A área de cuidados intensivos não é cercada por duas camadas de grades de ferro? Como o Velho Liu, com aquele corpinho franzino, conseguiu escapar?” Li Huowang olhou para aquela direção, confuso.
Antigamente, quando ele não conseguia distinguir alucinação da realidade, ficou internado lá por um tempo. Não eram boas lembranças.
Vendo que os outros pacientes estavam sendo levados de volta aos quartos pelas enfermeiras, Li Huowang virou a cabeça e disse a Yang Na: “Aqui está meio bagunçado. Volte primeiro. À noite, ligue para o hospital e falaremos por telefone.”
“Hum. Fique bem aqui. E lembre-se do que acabou de me prometer.” Yang Na disse, virou-se e caminhou em direção ao portão distante do hospital.
“Quatrocentos mil…” Li Huowang suspirou enquanto se virava para voltar ao quarto. Agora que tinha certeza de que aquele pingente de jade realmente valia tanto, seu coração começou a conceber muitas ideias novas.
Alucinação ou realidade, o que importa? As coisas daquele lado valiam tanto dinheiro. Dane-se se é alucinação ou realidade.
Mal tinha dado alguns passos quando um grito familiar ecoou atrás dele. Li Huowang se virou e viu um velho careca e magricela derrubando Yang Na no chão.
Ao ver aquela cena, o sangue de Li Huowang ferveu. Com os dentes cerrados e uma expressão feroz, ele avançou em direção a eles. “Velho Liu! Essa é minha namorada! Solte ela!!”
“Uuush~” Um som cortante soou de repente. Um ladrilho solto voou e acertou em cheio a cabeça de Li Huowang.
O mundo girou. Li Huowang caiu pesadamente no chão. Sua visão foi gradualmente coberta de vermelho. Sua cabeça estava sangrando.
Através da visão avermelhada, Li Huowang viu um par de pés inchados, presos em uniforme de hospital, passarem diante de seus olhos, caminhando em direção a Yang Na, que gritava e se debatia.
Ouvindo os passos pesados se aproximando cada vez mais de Yang Na, a mente de Li Huowang zumbiu. Restava apenas um pensamento: não deixá-lo machucar Yang Na!!
Tremendo, ele tirou do bolso uma pílula que seu mestre lhe dera, misturou-a com o sangue que escorria de sua boca e a engoliu.
Num instante, uma corrente de calor extremamente intensa jorrou de seu estômago e se espalhou para seus membros. Ele sentiu seu corpo se encher de força. Sua mente, antes turva, tornou-se incrivelmente clara.
“POW!!” Ele desferiu um soco, acertando com força o maxilar gordo do homem. Num instante, dentes amarelados e soltos voaram para todos os lados. Em pouco tempo, não sobraram muitos.
Coberto de sangue, Li Huowang ignorou o gordo caído no chão. Com passos largos, foi até o Velho Liu e chutou seu peito magro.
“Croc, croc.” O som de ossos quebrando ecoou sem parar. O corpo do Velho Liu, cuspindo sangue, voou para longe como um fio de macarrão mole.
Olhando para Yang Na, que estava no chão, segurando o casaco de lã rasgado e com os olhos cheios de lágrimas, Li Huowang rangeu os dentes com tanta força que a gengiva sangrou.
Seus olhos, cheios de vasos sanguíneos, olharam com ferocidade os dois caídos ao lado. Com um pisão forte no chão de cimento, ele avançou como um leopardo em direção a eles.
“Huowang!! Pare!! O que você vai fazer?!”
Footnotes
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Forcado — ferramenta agrícola composta por um cabo longo de madeira com duas ou três pontas de metal na extremidade, usada para manusear feno, palha ou grãos. Em contextos históricos ou de fantasia, é comum que camponeses a utilizem como arma improvisada em confrontos ou revoltas populares. ↩